Resenha – Reunião 18/03/2010

A reunião iniciou com uma breve discussão sobre a pesquisa sobre vigilância, coordenada pelo Prof. André Lemos. A pesquisa busca analisar os desdobramentos da implantação de câmeras de vigilância no campus da Federação da Universidade Federal da Bahia (UFBa). O formulário para mensuração das possíveis reações de alunos, professores e funcionários que convivem com as câmeras neste campus está disponível clicando aqui.

Então, o novo membro do grupo, Paulo Victor Sousa, apresentou seu projeto de mestrado, Mapas colaborativos: Vigilância Distribuída e Reescritas da cidade, sob a orientação do Prof. André Lemos. O projeto visa analisar a construção dos mapas colaborativos e suas implicações sociais no espaço urbano, tomando como objeto de estudo o mapa “#buracosfortaleza”, elaborado por cidadãos de Fortaleza (CE) durante os estragos das chuvas no primeiro semestre de 2009.


Mapa colaborativo #buracosfortaleza

Discutiu-se o medo dos mapas serem apagados (razão pela qual o mapa Wi-Fi Salvador, iniciativa do GPC de mapeamento de hotpots na cidade que voltou a ser atualizada recentemente, exige um filtro – ou seja, a colaboração não se dá por via direta, mas através de sugestão via e-mail ou twitter). Acrescentou-se ainda que, no caso da ferramenta de mapas colaborativos se popularizar de fato, pode haver um conflito de interesses na elaboração destes mapas (a exemplo dos mapeamentos de crimes, como o Wikicrimes), com a possível apropriação de imobiliárias, que não se interessariam na visualização de crimes em áreas em que constroem.

Detectou-se uma abordagem do tema “vigilância” confusa e talvez ainda prematura. Para Sousa, os mapas funcionariam como uma forma vigilância do público sobre os problemas, algo que o grupo questionou. Questionou-se ainda se esses mapas constituiriam o que a Geografia chama de cartografia, concluindo-se que eles não constituiriam, cientificamente falando, novas cartografias, por utilizarem uma base pronta disponibilizada pelo GoogleMaps. André Lemos, porém, destacou que todo mapa é uma construção, mesmo os científicos, e reafirmou a importância das iniciativas em questão, como formas inovadoras de escrever sobre o espaço. Por fim, a conclusão sobre o projeto é que falta ainda analisar o lado comunicacional dos mapas, em vez de enfatizar apenas o potencial transformador do espaço urbano que eles possuem.

Em seguida, André Holanda apresentou seu projeto de Doutorado, A pele da Cibercultura: As interfaces baseadas na manipulação direta e a Realidade Aumentada na Comunicação Social, que aborda as mudanças nas interfaces de acesso à informação no ciberespaço, com ênfase na apropriação jornalística das tecnologias. Visa, desta forma, saber como a interface do dispositivo de acesso vai funcionar, sem, entretanto, fixar-se em um dispositivo em especial, para que a pesquisa não se torne ultrapassada no espaço de tempo até a defesa da tese. Segundo Holanda, seu projeto busca analisar o que ele chama de “realidade aumentada” – mas que não corresponde ao conceito convencional de camada acessível através de dispositivos como celulares, permitindo visualizar, através da base física, a camada informacional. O uso do termo, portanto, mostra-se problemático, se não analisado como uma desconstrução do conceito, demonstrando que a realidade aumentada sempre existiu.

iPad, da Apple, é uma das novas interfaces

As outras críticas principais dizem respeito a falta de iniciativas de realidade aumentada no jornalismo que não sejam meramente lúdicas (a exemplo da visualização da Torre Eiffel no site do Estadão, ao se direcionar a webcam sobre uma área específica do jornal), e de hipóteses sólidas de pesquisa, aplicáveis através de objetos mais práticos.

Comente ou assine este feed para ler os próximos textos em seu leitor de RSS.

Comentários não permitidos.